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| Manifestante do Pinheirinho - Fonte: Portal Terra |
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Temos acompanhado com grande
tristeza uma realidade caótica que se repete de tempos em tempos no Brasil e
acaba de se instalar na região de São José dos Campos, São Paulo: a
reintegração de posse do assentamento Pinheirinho.
Ocupada
há quase oito anos e com seis mil famílias instaladas no local, a área em
questão foi alvo (como em tantos outros casos) da sanguinária especulação
imobiliária. Propriedade do empresário Naji Nahas, pivô de escândalos
financeiros e policiais, a área constitui-se uma massa falida da empresa
Selecta que deve mais de 10 milhões de reais de IPTU para a prefeitura de São
José dos Campos.
As
grandes emissoras pelo jeito não estão muito interessadas na notícia. Pelo que
pude observar uma enfermeira chutando um cachorrinho causa mais comoção nos
telespectadores do que a ação truculenta dos policiais na área que, aliás,
insistem em dizer que não houve feridos, e que as balas são de borracha.
É
desesperador assistir ao vídeo “O Massacre do Pinheirinho: a verdade não mora ao lado”, onde são mostrados relatos de ex-moradores da área, bem como a
situação degradante nos abrigos, com crianças dormindo no chão, esposa com
marido baleado no hospital, idosos sendo carregados por vizinhos.
Nem
mesmo a dignidade de ter seus pertences recuperados está sendo respeitada. Uma
vergonha para o nosso país! Famílias com vidas consolidadas na área serem
tratadas como lixo, sem um mínimo de respeito.
Pior
é ter que ler os comentários babacas que surgem na internet, do tipo “são um
bando de vagabundos, de desocupados”. Isso só mostra a alienação de grande
parte da população, que não conhece as negociações por debaixo dos panos, ou que
não quer enxergar a realidade. Cada um preocupado apenas com o seu umbigo e com
o seus direitos.
Cheguei
a ler um comentário na internet que dizia o seguinte: “todo mundo paga sua casa
em 30 anos e esse pessoal quer ganhar de graça do governo? Não pago meus
impostos pra dar casa pra eles”. Francamente! Que espécie de mundo vive um
sujeito desses?
E
imaginar que há quem pense que as pessoas ocupam áreas públicas e/ou áreas de
risco porque gostam, porque acham bonito. Vivemos num país de extrema
desigualdade social, onde os pobres que não têm nada e ficam cada vez com
menos, onde a única opção de ter uma moradia muitas vezes é ocupar áreas abandonadas,
como é o caso do Pinheirinho, e ainda ter que viver sob a pressão de perder sua
moradia a qualquer momento.
Não
quero aqui endossar ocupações irregulares nem torná-las oficiais (até porque
não tenho essa autoridade), quero simplesmente defender que o ocorrido é totalmente
justificável num país que joga os seus pobres cada vez mais para as periferias,
longe de qualquer infra-estrutura urbana, longe dos centros comercias e fontes
de emprego, e entregam a cidade a uma especulação imobiliária desenfreada, onde
o espaço é sempre privilégio de poucos.
Algo precisa ser feito.
São nossos irmãos que estão sofrendo, é a dignidade humana que está em jogo. Precisamos,
afinal, reagir!
1 comentários:
É Jacque, difícil... diante de tantos avanços na política urbana brasileira, deparar com ações tão dramáticas e arcaicas como essa é revoltante...
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