domingo, 27 de novembro de 2011

Heróis de Todo Mundo - Solano Trindade


Moro em frente ao Teatro Solano Trindade, em Embu das Artes. Até ontem eu não imaginava a importância que isso tinha.

Tive a oportunidade de assistir a uma apresentação de samba do grupo "Revista do Samba", um trio talentoso que tem como um dos membros o neto do poeta negro, Vitor Trindade.

A filha de Solano, Raquel Trindade, apesar da idade avançada, ainda tem gingado nos quadris e vibração no gogó. Cantou a música que foi tema da escola de samba Vai-Vai em 1976, em homenagem ao seu pai, tido como o poeta popular. Assisti também ao vivo e a cores Osvaldinho da Cuíca, tocando numa frigideira com todo o ritmo possível.

Fiquei pensando em como a subcultura evangélica suplantou (e ainda suplanta) a culta brasileira, jogando a água suja da bacia com o bebê dentro. Tudo que é nosso (cultura afro) tornou-se do capeta, e o engraçado é que a maioria das igrejas tradicionais absorveu a cultura europeia sem questionamentos. Ou seja, absorvemos com facilidade o que vem dos brancos e a cultura afro é recebida com ressalvas.

Não fosse a amabilidade dos sambistas de ontem, eu teria me sentido um E.T. Na verdade me senti um pouco, uma vez que sou dura, sem gingado e além de tudo analfabeta em matéria de samba.

Não pude sequer acompanhar as músicas porque simplesmente não sabia a letra. Sinto que tenho um mundo a ser descoberto. Na verdade todos temos, porque não dominamos todos os assuntos, mas pra mim cultura popular é algo muito básico, que deve ser ensinado desde criança. Valorizar a nossa cultura é questão de sobrevivência!

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