Sabe aquele momento da sua história que você gostaria de
voltar na máquina do tempo pra corrigir sua vida?
Aquele beijo que você deveria ter dado e não deu, aquela
opção de vestibular que você deveria ter marcado e não marcou, aquele
relacionamento problemático que você devia ter rompido quando era ainda
adolescente mas não o fez, aquela viagem que você deveria ter ido quando ainda
tinha vigor e não foi, o emprego que você deixou de abraçar por medo da nova
realidade incerta, aquele pequeno ato que você iniciou ainda jovem
e que hoje te tortura como vício...
Sabe essas coisas da vida da gente?
Então, bom seria se pudéssemos voltar no tempo e corrigir
algumas burradas a fim de tornar nossa vida hoje mais fácil. Mas receio que não
seria tão fácil assim.
O Homem do Futuro – em cartaz nos cinemas brasileiros –
trata exatamente disso. Wagner Moura provou mais uma vez que é bom. É capaz de
ser dramático, romântico e engraçado, e garantir uma excelente performance em
todos os seus papéis. O mais novo filme brasileiro conta a história de um
físico que vive uma vida medíocre. Sim, ele deixou que um episódio ocorrido
há 20 anos determinasse os seus passos durante toda a sua vida.
Professor universitário e muito solitário, ele foi humilhado
no baile da faculdade e perdeu o grande amor da sua vida. Vinte anos depois, a
partir da sua engenhosidade científica, ele se vê diante da possibilidade de
usar sua melhor invenção – uma “máquina do tempo” - para mudar sua história.
E aí entra uma mistura de Efeito Borboleta (com Ashton Kutcher) e
Click (com Adam Sandler). Dois filmes americanos que retratam histórias
similiares. Homens que tentaram mudar o passado a fim de ter um presente
melhor. Mas nas duas histórias as tentativas dão errado: em vez de concertarem
suas vidas, tornam-as mais desgraçadas ainda. E não é diferente em O Homem do
Futuro.
O grande lance do filme é perceber que o que já aconteceu
não se altera mais. O curso da nossa vida não pode ser mudado. É preciso
aprender a lidar com o resultado das nossas escolhas, ou mesmo das nossas
falhas. Não tem máquina do tempo que resolva o conflito do ser humano pois, em
tendo chance, ele pisa na bola de novo.
Todo mundo sofre, e não podemos querer ser privilegiados
(por uma máquina do tempo ou quem sabe por uma bola de cristal que nos conte o
futuro) ansiando uma vida sem dor. O cientista maluco do filme resolve então
deixar sua vida acontecer, deixa seu personagem de 20 anos atrás passar pelas
mesmas dores, porque afinal de contas ele precisa aprender a lidar com elas, precisa
aprender a caminhar apesar de seus conflitos.
O filme traz uma reflexão profunda sobre a nossa maneira de
encarar a vida. Saí do cinema com a sensação de que preciso encarar de frente
minha história, que não adiantaria ter uma máquina pra voltar no tempo porque,
se eu fizesse isso, talvez hoje não seria
a pessoa que eu sou. Não perfeita, mas calejada por algumas dores, feliz
por outras conquistas, aprendendo a sofrer e a encarar a vida de peito aberto.
É possível que não repetisse os mesmos erros, mas certamente cometeria outros.
Talvez precisemos caminhar sozinhos por um tempo até nos
encontrarmos, até entendermos nossas escolhas do passado e a aprender a
conviver com a colheita do que plantamos. Esse aprendizado é longo, e pode até
mesmo durar mais de 20 anos.

2 comentários:
Olá Jacqueline, como vai? Bem, espero! Quero felicitá-la pelo belíssimo blog e em especial pelo excelente post que acabei de ler. Eu vi esse filme e também sai com a mesma sensação que você, que por mais que queiramos mudar o nosso passado, isso não é possível e como você também disse, é possível que não cometêssemos os mesmos erros, mas certamente, outros. E quanto aos erros, não devemos tentar voltar no tempo para corrigir nossas ações equivocadas, impensadas ou mal planejadas, mas de todos elas, um aprendizado.
Não sei se você lembra, mas eu morei com o Pr. Luis Carlos no ano passado. Não tenho certeza mas creio que você o visitou uma vez. Só me lembro que era Arquiteta rsrs... então creio que você seja a mesma pessoa. Enfim, parabéns novamente pelo excelente blog. Quisera eu escrever tão bem assim... Felicidades!!!
Olá Elielson!
Sim, sou eu mesma. Lembro de ver você chegando na casa do Luis um dia à noite...
Obrigada pelas considerações!
Abraços!!
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