sábado, 3 de setembro de 2011

Experiência no Monte

Para quem bem me conhece, logo de cara parece estranho um título do tipo: "experiência no monte". Pois bem, hoje tive uma. Mas não do tipo que os crentes devotos costumam ter. Foi uma experiência, por assim dizer, científica.

Humberto e eu estivemos hoje no Monte dos Menonitas, um lugar escondidinho em Embu das Artes - SP. Fomos a fim de colher dados para a pesquisa que ele iniciou no mestrado em Ciências da Religião.

Enquanto ele colhia os dados e conversava com pastores, apóstolos e bispos, eu travava uma conversa mansa com uma jovem senhora que lia a Bíblia devotamente debaixo do sol não tão quente de Embu.

Pedi licensa para uma foto e depois logo veio a curiosidade sobre o que estávamos fazendo ali. Ela perguntou se conhecíamos a Palavra, se sabíamos do batismo com Espirito Santo e coisa e tal. Enfim, expliquei nossas origens pra mulher e me sentei pra ouvir sua história.

Curioso como nosso preconceito religioso muitas vezes nos prega peças...

Convertida na IURD (Igreja Universal do Reino de Deus), Silvana viu sua vida transformada após aceitar Jesus. Curada de uma hemorragia e de dores ósseas (não por oração de pastor, mas por seu próprio clamor e fé), com o tempo Silvana percebeu que os pedidos de oferta na igreja começavam a ficar excessivos.

Quando leu a Bíblia e aprendeu sobre ofertas voluntárias e o dízimo do Antigo Testamento, começou a questionar a prática de seus líderes, que lhe pediam quase que 70% de seus ganhos mensais. Contou-me que os pastores "entrevistavam" o capeta:

Pastor pergunta: "Satanás gosta que o crente dê dinheiro pra igreja, demônio?"
O demônio responde: "Nãoooooo"

Achei interessante a sacada dela. "Ora, se na Bíblia diz que o diabo é o pai da mentira, como acreditar então nas respostas do diabo diante do pastor?". Curioso, não?

Após passar necessidade em casa por falta de dinheiro, Silvana orou a Deus e foi direcionada a buscar uma Igreja em que ela pudesse desenvolver os seus dons, e caiu na Assembléia de Deus. Está lá até hoje, e isso já faz 9 anos.

A espiritualidade da Silvana não é bem o tipo da minha, mas talvez devesse ser. Tenho me sentido tão árida por esses dias que ouvir experiências alheias me fortalece. Nunca profetizei, nunca tive visões, nunca falei em línguas. Não que eu ache que esses sejam os sinais principais de Deus na vida do cristão, mas bem que senti uma invejinha gospel.

É muito bom ver que Deus age em todos e através de todos, pois Silvana na simplicidade da sua fé, sem teologias bem elaboradas, consegue desenvolver comunhão profunda com Deus, ao passo que eu, com a minha "teologia arejada", ou até mesmo liberal para alguns, sofro conseqüências de decisões mal pensadas e tomadas sem o direcionamento divino.

Espero em Deus ver mananciais à minha frente. Separar tempo para jejum e oração. Não encontramos ninguém no monte que estivesse em jejum por um pedido financeiro ou mesmo atrás de cura para doenças terminais. A todos quantos interrogamos sobre as motivações reais foi nos dito que era para que Deus os fortalecesse mais em sua fé, para que a comunhão com o Senhor Jesus fosse ampliada.

Bem, hoje tive minha primeira experiência no monte, mas espero que a próxima seja menos científica e mais espiritual.

Preciso me abrir ao agir de Deus, aprender a viver na sua total dependência. E mesmo que isso se desse no interior e no silêncio do meu quarto, já estaria de bom tamanho!





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