terça-feira, 7 de junho de 2011

O adeus do bom velhinho

Acabo de ler o último livro escrito por John Stott. Não, não é o último lançamento. Quer dizer, é também, mas de fato refiro-me ao último livro de sua vida.

O teólogo, escritor e evangelista John Stott, que há muito nos presenteia com seu conhecimento bíblico profundo, vai finalmente pendurar as chuteiras, ou melhor, a pena, aos 88 anos de idade.

“O discípulo radical” é o último título da vasta obra deixada por esse bom velhinho. Ouso-me nesse título porque foi assim que o conheci na ABU – Aliança Bíblica Universitária. Os veteranos nos recomendavam os escritos do “bom velhinho”.

O livro trata de oito características que Stott considera fundamental na pessoa que se diz discípula de Cristo: inconformismo, semelhança com Cristo, maturidade, cuidado com a criação, simplicidade, equilíbrio, dependência e morte.

A explicação de Stott para o nome de livro é que existem diferentes níveis de comprometimento na comunidade cristã, assim como os diferentes solos da parábola do semeador, ou seja, a diferença entre as sementes está no tipo de solo que as recebeu. Em um deles a semente se deixa sufocar pelos espinhos, em outro, no solo rochoso, não há radix, termo em latim que significa raiz, de onde deriva o termo “radical”.

Particularmente gosto muito dos livros de John Stott, especialmente pela profundidade bíblica. Nada lhe passa despercebido. Ele vai à raiz da questão. Nada de óculos calvinistas ou arminianos, simplesmente a Bíblia.

Não pude deixar de me emocionar com o pós-escrito do livro, onde Stott se despede de seus leitores. “Ao baixar minha caneta pela última vez (...)”. Um adeus definitivo, pelo menos pra mim, que só converso com ele por meio dos livros. Mas creio que nosso diálogo não se encerra nesta última publicação. Ainda tenho a companhia de outras centenas de livros de Stott que ainda não tive a oportunidade de ler, e fico também com os que já possuo, que muito contribuíram com a formação do meu caráter cristão.

Stott deixa para milhões de discípulos de Jesus espalhados pelo mundo uma obra completa, repleta de verdades do Evangelho, ensinando o que é ser de fato um discípulo radical. Fica aqui registrada minha gratidão a esse servo do Senhor, homem bom e fiel, que me ensinou a ser um pouco mais parecida com Cristo, a entender melhor os ensinamentos do mestre.

A você, meu querido John, adeus!

1 comentários:

Humberto Ramos disse...

Eu não sou um assíduo leitor do Stott, mas a figura dele também me remete a muitos sentimentos... e como despedidas são sempre cortantes, é difícil despedir dele também.

Aliás, com a idade que ele tem, sabemos que em breve o mundo cristão verá ir-se uma dentre as poucas figuras existentes acerca da qual o testemunho cristão é reconhecido pelos mais variados seguimentos protestantes.