domingo, 16 de janeiro de 2011

Uma questão de gênero


Nesse final de semana tive a oportunidade de concluir mais um módulo da minha pós-graduação. O tema era “Arquitetura Comercial”. O professor, um rapaz bem jovem para um currículo tão excepcional, foi além do proposto. Não nos ensinou apenas técnicas de projeto - fez uma verdadeira terapia de casal!

A fim de poder entender o público para o qual se trabalha, ele falou muito sobre o funcionamento do cérebro feminino e masculino, como esses dois seres de espécies iguais habitam em mundos totalmente diferentes.

Notemos uma loja de artigos masculinos: camisas dobradas impecavelmente, separadas por tamanho, empilhadas por cor. Sapatos exatamente iguais lado a lado, bermudas com o mesmo corte nos três manequins e o mobiliário da loja lembrando um grande closet. Essa é uma cena ideal para o cérebro masculino, que compreende uma coisa por vez e precisa ser objetivo.

Se ele precisa de uma camisa, camisa é o que ele vai comprar. Defini então a cor que precisa usar, escolhe o tamanho (afinal ele não precisa experimentar, pois já sabe o tamanho que veste), paga a conta e vai embora. Em cinco minutos o homem “foi às compras”.

Ambientação da loja de artigos e acessórios femininos: sapatos variados, de todos os modelos e cores possíveis, roupas expostas, sem repetição de preferência, acessórios à altura das mãos, manequins vestidas com a roupa mais cara da loja (para ser o objeto de desejo da invejosa mulher!) e de preferência um cartaz escrito: “50% off”.

Depois de experimentar a loja inteira, ela tem a sensação de que ainda não encontrou o que procurava, isso porque seu cérebro sabe que se tiver de ficar apenas com uma peça, está automaticamente negando todas as outras, logo esse exercício de escolha torna-se algo extremamente doloroso (e os homens acham que demoramos nas compras apenas para sacaneá-los!).

Bem, estratégias de vendas à parte (além da dura constatação de que somos apenas rebanho no mall de um shopping, guiados animalescamente pelos apelos visuais das vitrines), convenhamos que é muito interessante ficar a par das grotescas diferenças de gênero.

Suspeito que muitos relacionamentos não deslanchem por conta dessa ignorância, pela falta de compreensão do funcionamento psíquico do outro e, em se tratando especificamente de casais, do companheiro (a).

À medida que passamos a conhecer melhor o alvo de nosso afeto, temos grandes chances de decodificar certas ações que em situações normais causariam reações desagradáveis, evitando assim as conturbadas brigas e beicinhos ao longo do romance.

Uma coisa é certa e aprendi em minha experiencial pessoal: desisti de bater de frente com o futebol. Não adianta. É um fato. Homens de modo geral adoram futebol, e tornam-se quase que animais irracionais diante da TV.

Quando passamos a entender que o cérebro masculino é compartimentado e só absorve uma informação por vez, fica fácil entender porque eles não escutam as mulheres quando estas falam, porque não ouvem o telefone tocar nem a criança chorando ao lado dele. Naquele momento o cérebro masculino entende uma só mensagem: futebol.

Isso sem falar da zona neutra, ou buraco negro, que é aquele lugar no cérebro do homem que contém exatamente NADA, ou seja, quando uma mulher pergunta pro homem o que ele está pensando e ele diz “nada”, tenha certeza de que ele está falando a verdade!

Bem, voltando ao futebol. Pra facilitar a coisa tive que entrar na onda e aprender a assistir futebol com meu namorado, que apesar de ser palmeirense assiste aos jogos de todos os times, apenas pelo prazer de ver a bola rolando. Custou, mas consegui aprender o que é tiro de meta, escanteio e quem é o artilheiro (risos).

Em contrapartida, deve ser compreensível pra ele que quando estou triste preciso falar, falar e falar. E obviamente não quero uma solução para o meu problema, pois quero apenas falar. Ele não deve estranhar também que em um momento de crise ou depressão preciso de muito chocolate e um cartão de crédito nas mãos.

Uma constatação muito curiosa que tive ao longo da aula foi o fato de eu não me identificar com algumas características do cérebro feminino, como o instinto maternal desde a mais tenra idade, por exemplo. O professor Lorí foi dramático ao dizer que quando meninas, nós recebemos um presente terrivelmente destruidor da nossa psique: a boneca.

Intuitivamente as pessoas nos mandam cuidar da boneca, dar banho na boneca, dar de comer pra boneca, colocar a boneca pra dormir e não deixar ninguém machucar a boneca. Lembrei-me então de um acontecido que data da minha infância: minha mãe conta que quando eu tinha uns dois anos minha tia Neivanda presenteou-me com a minha primeira boneca (aquelas tipo “bebezão”).

E a contragosto da maioria, eu me divertia muito com ela, em vez de cuidar dela. Diz a lenda que eu colocava o bebezão no carrinho e levava ele pra passear. Apenas um detalhe: o braço do bebê sempre caía para o lado de fora do carrinho e eu ia arrastando o dedo da boneca por metros a fio, até ele ficar todo ralado!

Entendi então que não é sem razão que eu não tenha instintos maternos tão aflorados em mim! Depois dessa boneca só me lembro das Barbies, pois eram as únicas bonecas que eu gostava de verdade. Acho que nunca mais me deram um bebezão pra cuidar!

Ora, quando crescemos e nos tornamos adultas, naturalmente queremos tratar o namorado ou marido como a nossa boneca, preparando suas roupas, dizendo a hora que ele tem de tomar banho, mandar ir dormir na cama em vez de ficar estirado no sofá até tarde, pegar a margarina pra ele na geladeira, já que ele nunca consegue encontrar... enfim... instintos totalmente maternos!

Mas precisamos aprender que não somos mães de nossos maridos (ou namorados). Essa história de que homem gosta de mulher que maltrata tem lá seu fundinho de verdade (muita calma mulheres... não é pra pegar o pau de macarrão!!).

É claro que não estou falando de mulheres dominadoras e donas da verdade, mas sim de mulheres amáveis, porém decididas, com amor próprio, que sabem correr atrás de seus objetivos. Mulheres que também sabem a hora de fazer concessões para o bem do relacionamento. Como diz Sherry Argov em seu livro Por que os homens amam as mulheres poderosas?, “as mulheres poderosas tem uma coisa que as boazinhas não têm: presença de espírito”.

Acho muito proveitoso a leitura de temas relacionados, principalmente para aqueles que vivem a dificuldade do relacionamento do dia-dia, ou seja, basicamente toda a humanidade. É bom conhecermos o terreno onde estamos pisando. Quando nos conhecemos melhor e também ao outro, temos mais chances de tomar decisões acertadas, desenvolver nossa tolerância e preservar tempos de calmaria nos relacionamentos interpessoais.

Abaixo, duas ilustrações do livro de Allan e Barbara Pease - Por que os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor? Só pra descontrair o ambiente... rsrsrs





0 comentários: