Todo ano tem ano novo. E todo ano é sempre tudo igual.
Na tão esperada noite da virada, marcada por festas opulentas de um lado e por pobreza do outro, haverá sempre as mesmas expectativas de regime, as mesmas promessas de reeducação alimentar, de prática de exercícios físicos, a já conhecida disposição de ser amável, de ser tolerante com o próximo, de não se endividar, de fazer poupança, de voltar a estudar... E assim a nossa lista de ano novo é sempre velha.
Confesso que me preparo para 2010 sem muita esperança. Talvez por culpa da Rede Globo que insiste na Retrospectiva do ano velho. Se já temos dificuldades em aceitar as notícias ruins vindas em doses homeopáticas todas as noites ao longo do ano, imagine vindas de uma vez, numa noite só!
São tantas catástrofes naturais, tanto dinheiro na cueca, na meia e no panetone, tanta injustiça, tanta corrupção, tanta pobreza, tanta fome, tanta seca, tanta chuva, tantas mortes que (ufa!), por fim, nem me animo a esperar pelo velho ano novo.
Por ser jovem, confesso que estou velha. E quando digo velha é na alma mesmo, pois é por certo que muitos velhinhos estão esbanjando juventude emocional apesar das marcas do tempo. E essa velhice precoce me atormenta. O ano novo torna-se alvo de receios e temores pra mim.
Temores de não alcançar os sonhos que ficaram incólumes no ano velho, receio de não conseguir sonhar novos sonhos para o ano novo, insegurança profissional, dificuldades relacionais e, o que é pior, destempero para com a vida!
Antecipo-me ao ano que se desenrolará em 2010 e digo que não haverá nada de novo no ano novo. É por isso que hoje, ao abraçar meus amigos e familiares na ressoada da meia noite, direi: “Feliz Ano Velho. Que venha o já conhecido Ano Novo!”.

