sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Manhã Graciosa



Manhã fresca, chuva fina no telhado, Minas Gerais.

Vivo uma luta constante de indisciplina e preguiça espiritual. A correria do dia-dia me faz crer que as práticas devocionais podem esperar, afinal, o cansaço é muito grande. Mas quando decido parar tudo e mergulhar na mensagem das Boas Novas, convenço-me de que o exercício espiritual da leitura da Bíblia e da prática da oração é uma questão de decisão, e não de vontade.

Sinto-me como um doente que não sente vontade de comer, mas que precisa fazê-lo afim de que não piore sua enfermidade. E quando digo que penso dessa forma, não afirmo que é insuportável ter meus momentos a sós com Deus, como se fosse uma obrigação. Não. O que quero expressar é que meu estado doentio me conduz de tal forma à insanidade que chego a pensar que não preciso me alimentar. No entanto, quando decido reservar um tempo para estar com Ele, percebo quanto tempo eu perdi.

Nesta manhã de Natal acordei decidida a refletir na Palavra. Releio o texto proferido na meditação da Ceia Natalina e percebo que hoje ele já adquiriu outro sabor. Nada como uma leitura pessoal.

De fato a palavra é cortante. Quando pensamos que vamos ouvir palavras de reprovação por parte de Deus por causa do nosso afastamento dele, Ele nos assombra com sua mensagem de graça e amor.

“Pela Graça de Deus vocês foram salvos do castigo do pecado, por meio da fé. E não é algo que vocês tenham feito, é um presente de Deus. Não nos foi dado porque fizemos alguma coisa boa. Se fosse assim, teríamos do que nos orgulhar.” (Efésios 2.8-9)

De fato, não temos nada a que nos orgulhar. Não fizemos nada, e continuamos não fazendo, pois as nossas obras são irrelevantes para Deus. Não que Ele não olhe os nossos frutos, certamente Ele olha e se compraz. Mas os frutos são gerados por Ele mesmo, pois nos alimentamos da Sua seiva como ramos ligados à Videira. 

O convite da graça é constrangedor e maravilhoso, pois temos a segurança do amor de Deus por nós e a confiança de que não depende do nosso muito fazer, e sim do que Cristo já fez na cruz. Nosso amor e devoção é uma resposta muito modesta a todos os gestos de amor demonstrados por Ele antes mesmo da fundação do mundo.

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