domingo, 15 de abril de 2012

Virado de Banana

Dos bens que possuo na vida um dos melhores é o meu namorado mineiro, e disto enfatizo a sua mineiridade!

Sim, mineiridade não é só ter nascido em Minas Gerais, é ter espírito de Minas, alma de Minas, jeito de Minas.  É saber olhar a vida com olhos poéticos, admirar as montanhas mineiras, ouvir mais do que falar, observar antes de agir, ser matuto e ao mesmo tempo sábio, saber deliciar da boa mesa desta rica terra e não ter pressa na vida - caminhar devagar e sempre!

Bem, domingo de manhã é dia de comer Virado de Banana. Esta receita tipicamente mineira é de Cambuí, cidade do sul de Minas, pertencente ao Circuito Serras Verdes. A tradição dos cambuienses em comer virado de banana os acompanha há pelo menos 100 anos, e por isso a receita ganhou o registro no livro de patentes do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico.

No site da Prefeitura de Cambuí é possível encontrar a receita do virado, mas vou escrever aqui a receita do Humberto, na proporção que ele me ensinou a fazer (para 2 pessoas que comem bem!).

Ingredientes:

Óleo
3 bananas nanicas cortadas em rodelas
6 colheres (sopa) de açúcar
200g de queijo minas cortado em cubos
Farinha de milho (bem amarelinha e sequinha)

Modo de fazer:

Esquente óleo numa panela média, coloque as bananas cortadas para fritar um pouco. Acrescente o açúcar e deixe cozinhar por alguns minutos (mas sem deixar desintegrar). Despeje o queijo, ficando tudo junto e misturado. Depois acrescente a farinha de milho. 

Não tenho a medida exata da farinha, porque é meio de olho mesmo... Só não coloque muita pra não ficar ressecado.

Ah! Dica importante: antes de fazer o virado deixe o café pronto, porque virado sem café é sacrilégio, segundo o Humberto.

Resultado do nosso virado de hoje de manhã:







quinta-feira, 5 de abril de 2012

Deus, um caleidoscópio

Deus é grande demais para se enquadrar em descrições humanas. Não cabe no nosso vocabulário, quanto mais em nós mesmos. Por isso sua sabedoria é multiforme e se revela na igreja*, a casa viva de Deus.

É na coletividade, no ajuntamento chamado Igreja que percebemos os atributos de Deus, e podemos dessa forma vê-lo ao nosso modo humano e limitado. Porque o outro tem de Deus aquilo que eu não tenho. E só o outro tem. Todos são indispensáveis nesse organismo vivo, a Igreja.

E Deus é um caleidoscópio, porque cada movimento Seu manifestado na vida de cada indivíduo forma agradáveis efeitos visuais, imagens que nos permitem contemplar parte do que Ele é.

Depois de ouvir a mensagem do Ariovaldo Ramos “As várias maneiras de ver Deus”, lembrei-me que na Jack a criatividade de Deus explode em cores vivas e brilhantes, com muito barulho e risadas escrachadas, dessas que te fazem rir só de ouvir.

No meu amigo Natan vejo o caráter reflexivo de Deus, que tem a capacidade de parar a leitura numa palavra como se fosse a enciclopédia britânica.

A melancolia de Deus, que faz dEle um poeta, eu vejo no Humberto, permitindo que as palavras lhe saiam da boca em forma de poesia, o que lhe confere um olhar sempre atento à dor do outro.

Há quem tenha a música de Deus, e não posso deixar de me lembrar da Cinthya, para quem tudo é música, até a risada no telefone quando nos falamos é cantada. Deus é o maior músico do universo, e ela possui essa característica de Deus.

Da Nádia aprendo da oração. Ela fala com Deus de um jeito que não consigo falar, com uma intimidade que eu talvez ainda não tenha experimentado. Ela se alegra e se zanga com Ele, mas no final sempre se entendem, porque ela escuta Sua voz. Seu primeiro amor me contagia sempre.

A Benta tem a simplicidade de Jesus, aprendeu a viver feliz apesar do pouco, e ainda reparte com os que nada têm. Nela está o coração misericordioso de Deus. Precisa de uma coluna forte, porque além do seu peso, às vezes quer carregar o mundo nas suas costas.

Na Késia está explícito o coração servo, a doação contínua em prol dos amigos e mesmo dos desconhecidos. Pra ela não existe tempo ruim, sempre dá um jeito de ajudar a quem precisa. É dedicada e amorosa.

A Carol é obediente, está sempre atenta para satisfazer a Deus, abrindo mão muitas vezes da sua própria vontade, a fim de agradar ao Pai. Sua devoção e busca contínua em obedecer a Deus falam pra mim o mesmo que Jesus falou com sua vida de obediência a Deus.

E a todos os meus outros amigos sei que aprendo de Deus com cada um. É impossível relacionar todos aqui, porque Deus é isso, é grande demais para caber na minha consciência.

Graças a essa multiforme sabedoria de Deus posso entender que são nas nossas diferenças que nos completamos, e que não podemos enquadrar o outro na nossa roupagem religiosa, que precisamos aprender a ser livres e oferecer liberdade aos que nos cercam.

Entender que, mesmo que pareça que aquele sujeito não cabe no nosso modelo construído, ele cabe em Deus, e por isso não está fora do Seu amor e da Sua graça.
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*Não confundir igreja com instituição. Aquela é viva e morada do Deus vivo. Esta foi criada por nós para facilitar a organização da sociedade.

terça-feira, 6 de março de 2012

Sabe saudade?

Sabe saudade?
Então...
Hoje do nada me deu uma vontade de parar de falar... Parar mesmo sabe?
Coisa, que você sabe bem, que eu não sei fazer nada bem.
Logo eu, que sempre peco por falar demais. Intensidade: Maysa, Amy, Janis Joplin Dercy Gonçalves... 
Pois é, aí hoje, depois de um dia tão cheio de bocas desorientadas e compulsivas, falando sem parar. Me deu no saco. Cansei. Calei.
Calei e comecei a me escutar
Calei e comecei a te lembrar
Comecei a lembrar da maneira como você me fazia chorar junto com você, sem nada ter que falar...
Calei e me ouvi, quieta, do seu lado, sem saber muito bem como agir...
Cansei e me lembrei de como é bom cansar do seu lado
Cansei e me lembrei de dormir na sua varanda: feriado, deitada no chão frio e você, xaropando o meu cigarro...
Calei e me lembrei do nosso último janeiro: porre, praia, meus pitís e casamento
Cansei e me lembrei do jeito como você levanta as sobrancelhas e entorta levemente a boca, com um ar de: "é...vc tem razão" ou de como, de pronto, você fala, trançando os olhos na sua lateral, quando não aprova ou não concorda comigo.
Calei e me lembrei do seu colo: duro, direto e profundamente amoroso
Calei e me lembrei de como é bom quando a gente se cansa; pra poder lembrar com saudade de uma amiga...
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sobre a autora
Jackeline Sousa é mais que minha chará, é minha amiga de alma, que entende meu pensamento só pelo olhar. E quando sinto saudade dela, é exatamente o que o Rubem Alves diz: saudade é a nossa alma dizendo pra onde ela quer voltar. Obrigada pelo texto, amiga! Em momentos de sequidão, é como um manancial no deserto.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Enchentes: mais uma vez culpar a natureza?


Além do texto abaixo, publicado originalmente no  Portal Vitruvius, recomendo também o documentário "Entre Rios", que mostra o processo de urbanização da cidade de São Paulo, com seus muitos rios canalizados e vias impermeabilizadas. O filme mostra como as enchentes são fruto da ação do homem e não da natureza, além de denunciar  como o interesse político domina desde sempre a forma de se fazer as cidades.
Começaram em sua natural abundância as chuvas que desde priscas eras incidem no sudeste brasileiro nos meses de novembro a março. E já as cidades da região sofrem com novas enchentes. Diga-se de passagem, enchentes a cada ano mais freqüentes, de maior intensidade e atingindo locais em que nunca haviam antes ocorrido. E, também como rotina conhecida, certamente nossas autoridades públicas responsáveis já estarão preparando seus discursos plenos de grandes obras e serviços executados, polpudas verbas alocadas e, como não poderia deixar de ser, fartas explicações lançando a culpa à Natureza, ao aquecimento global, a Deus e, pasmem, às costas da própria população que, mal-educada, estaria jogando lixo nas ruas.
Não há hoje mais a menor dúvida sobre quais sejam as causas principais das enchentes urbanas, e que estão na base de uma cultura técnica urbanística desde há muito equivocada: a impermeabilização generalizada da cidade, o excesso de canalização de cursos d’água e a exposição de solos à erosão, com conseqüente assoreamento das drenagens por sedimentos. Esse quadro determina o que podemos chamar a equação das enchentes urbanas: “Volumes crescentemente maiores de água, em tempos sucessivamente menores, sendo escoados para drenagens naturais e construídas progressivamente incapazes de lhes dar vazão”.
Frente a isso não há outra alternativa, é indispensável romper radicalmente com a velha cultura técnica, o que significa que, ao lado das medidas estruturais de ampliação das calhas de nossos principais rios,  deva-se recuperar a capacidade da cidade em reter as águas de chuva: disseminação de bosques florestados, reservatórios domésticos e empresariais de acumulação e infiltração de águas de chuva, calçadas, sarjetas, pátios, pavimentos drenantes, e tantos outros eficientes expedientes.
Mas um essencial primeiro passo deve definitivamente ser dado por nossas administrações municipais, sem o que desqualifica-se qualquer prognóstico mais otimista: tomar a mínima, elementar e cristalina decisão de “parar de errar”. Incrivelmente, diante de todas as repetidas tragédias, nossas cidades continuam a se expandir praticando os mesmos erros que estão na origem causal das enchentes, impermeabilizando o solo, canalizando seus córregos e provocando erosão. Em particular, a situação atual da RMSP é, sob essa abordagem, dramática.
sobre o autor
Álvaro Rodrigues dos Santos, geólogo formado pela Universidade de São Paulo; ex-diretor de Planejamento e Gestão do IPT; autor dos livros “Geologia de Engenharia: Conceitos, Método e Prática”, “A Grande Barreira da Serra do Mar”, “Cubatão” e “Diálogos Geológicos”, e consultor em Geologia de Engenharia, Geotecnia e Meio Ambiente.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Nota de repúdio: caso Pinheirinho


Manifestante do Pinheirinho - Fonte: Portal Terra
Temos acompanhado com grande tristeza uma realidade caótica que se repete de tempos em tempos no Brasil e acaba de se instalar na região de São José dos Campos, São Paulo: a reintegração de posse do assentamento Pinheirinho.

Ocupada há quase oito anos e com seis mil famílias instaladas no local, a área em questão foi alvo (como em tantos outros casos) da sanguinária especulação imobiliária. Propriedade do empresário Naji Nahas, pivô de escândalos financeiros e policiais, a área constitui-se uma massa falida da empresa Selecta que deve mais de 10 milhões de reais de IPTU para a prefeitura de São José dos Campos.

As grandes emissoras pelo jeito não estão muito interessadas na notícia. Pelo que pude observar uma enfermeira chutando um cachorrinho causa mais comoção nos telespectadores do que a ação truculenta dos policiais na área que, aliás, insistem em dizer que não houve feridos, e que as balas são de borracha.

É desesperador assistir ao vídeo “O Massacre do Pinheirinho: a verdade não mora ao lado”, onde são mostrados relatos de ex-moradores da área, bem como a situação degradante nos abrigos, com crianças dormindo no chão, esposa com marido baleado no hospital, idosos sendo carregados por vizinhos.

Nem mesmo a dignidade de ter seus pertences recuperados está sendo respeitada. Uma vergonha para o nosso país! Famílias com vidas consolidadas na área serem tratadas como lixo, sem um mínimo de respeito.

Pior é ter que ler os comentários babacas que surgem na internet, do tipo “são um bando de vagabundos, de desocupados”. Isso só mostra a alienação de grande parte da população, que não conhece as negociações por debaixo dos panos, ou que não quer enxergar a realidade. Cada um preocupado apenas com o seu umbigo e com o seus direitos.

Cheguei a ler um comentário na internet que dizia o seguinte: “todo mundo paga sua casa em 30 anos e esse pessoal quer ganhar de graça do governo? Não pago meus impostos pra dar casa pra eles”. Francamente! Que espécie de mundo vive um sujeito desses?

E imaginar que há quem pense que as pessoas ocupam áreas públicas e/ou áreas de risco porque gostam, porque acham bonito. Vivemos num país de extrema desigualdade social, onde os pobres que não têm nada e ficam cada vez com menos, onde a única opção de ter uma moradia muitas vezes é ocupar áreas abandonadas, como é o caso do Pinheirinho, e ainda ter que viver sob a pressão de perder sua moradia a qualquer momento.

Não quero aqui endossar ocupações irregulares nem torná-las oficiais (até porque não tenho essa autoridade), quero simplesmente defender que o ocorrido é totalmente justificável num país que joga os seus pobres cada vez mais para as periferias, longe de qualquer infra-estrutura urbana, longe dos centros comercias e fontes de emprego, e entregam a cidade a uma especulação imobiliária desenfreada, onde o espaço é sempre privilégio de poucos.

Algo precisa ser feito. São nossos irmãos que estão sofrendo, é a dignidade humana que está em jogo. Precisamos, afinal, reagir!

domingo, 8 de janeiro de 2012

O Evangelho da Graça

Texto postado originalmente no blog Comunidade Presbiteriana da Graça

A palavra graça, em si, tornou-se banal e desgastada pelo mau uso e pelo uso em excesso. Ela não mexe conosco da mesma forma que mexia com nossos ancestrais cristãos. Em alguns países europeus, certos oficiais eclesiásticos de alto escalão são ainda chamados de "Sua Graça". Jornalistas esportivos falam da "graça fluente" de Michael Jordan, e já foi dito do empreendedor Donald Trump que ele "carece de graça". Surge um novo perfume com o rótulo "Graça", e um boletim de estudante é chamado de "desgraça". A palavra perdeu o seu poder criativo latente.
 
Fyodor Dostoievski capturou o choque e o escândalo do evangelho da graça quando escreveu: "No último julgamento Cristo nos dirá: 'Vinde, vós também! Vinde, bêbados! Vinde, vacilantes! Vinde, filhos do opróbrio!' E dir-nos-á:"Seres vis, vós que sois à imagem da besta e trazem a sua marca, vinde porém da mesma forma, vós também!' E os sábios e prudentes dirão: 'Senhor, por que os acolhes?' E ele dirá: 'Se os acolho, homens sábios, se os acolho, homens prudentes, é porque nenhum deles foi jamais julgado digno*. E ele estenderá os seus braços, e cairemos a seus pés, e choraremos e soluçaremos, e então compreenderemos tudo, compreenderemos o evangelho da graça! Senhor, venha o teu reino!".[1] 

Creio que a Reforma realmente começou no dia em que Martinho Lutero orou sobre o significado das palavras de Paulo em Romanos 1:17: "visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé". Como muitos cristãos dos nossos dias, Lutero se debatia noite adentro com a questão fundamental: de que forma o evangelho de Cristo podia ser realmente chamado de "Boa Nova" se Deus é um juiz justo que retribui aos bons e pune os perversos? Será que Jesus veio realmente revelar essa terrível mensagem? De que forma a revelação de Deus em Cristo Jesus podia ser acuradamente chamada de "Nova", já que o Antigo Testamento defendia o mesmo tema, ou de "Boa", com a ameaça de punição suspensa como uma nuvem escura sobre o vale da história? 

Porém, como observa Jaroslav Pelikan: "Lutero repentinamente chegou à percepção de que a "justiça de Deus" da qual Paulo falava nessa passagem não era a justiça pela qual Deus era justo em si mesmo (que seria uma forma passiva de justiça), mas a justiça pela qual, por causa de Jesus Cristo, Deus tornou justos pecadores (isto é, justiça ativa) através do perdão dos pecados na justificação. Quando descobriu isso, Lutero afirmou que os próprios portões do Paraíso haviam-se aberto para ele.[2] 

Que verdade atordoante! 

"Justificação pela graça mediante a fé" é a frase erudita dos teólogos para o que Chesterton chamou certa vez de "amor selvagem de Deus". Ele não é instável nem caprichoso; não conhece épocas de mudança. Deus tem um único posicionamento inflexível com relação a nós: ele nos ama. Ele é o único Deus jamais conhecido pelo homem que ama os pecadores. Falsos deuses — criados pelos homens — desprezam os pecadores, mas o Pai de Jesus ama a todos, não importa o que façam. Isso é naturalmente incrível demais para aceitar. No entanto, a afirmação central da Reforma permanece: não por qualquer mérito nosso, mas pela sua bondade, tivemos nosso relacionamento restaurado com Deus através da vida, da morte e da ressurreição do seu amado Filho. Essa é a boa nova, o evangelho da graça.
 
Brennan Manning no Livro "O Evangelho Maltrapilho"
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[1] Fyodor Dostoievski. Crime andpunishment[Crime e castigo]. Nova York: Randon House, 1950, p. 322. [Publicado em língua portuguesa por várias editoras.]
[2] Jaroslav PELIKAN. Jesus through the centuries, his place inhistory of culture. Nova Haven: Yale UniversityPress, 1985, p. 158. Esta é uma obra de vastae cuidadosamente ocultada erudição que investiga a figura de Jesus dos temposdo Novo Testamento até o século XX. Pelikansugere que o retrato de Jesus em determinada época constitui uma chaveessencial para compreender aquele período. Os últimos capítulos do livromostram que "à medida que o respeito pela igreja organizada declinou, areverência por Jesus cresceu".
 

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Mulheres de Taiti na praia


"Sempre este silêncio. Entendo porque estes indivíduos podem manter-se horas e dias sentados sem dizer uma palavra, e olhar o céu com melancolia".
(Paul Gauguin)

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

A cidade em progresso

Não cresceu? Cresceu muito! Em grandeza e miséria
Em graça e disenteria
Deu franquia especial à doença venérea
E à alta quinquilharia

Tornou-se grande, sórdida, ó cidade
Do meu amor maior!
Deixa-me amar-te assim, na claridade
Vibrante de calor!

                              Vinícius de Moraes